TBR | Maratona Reading About Reality

Parece que alguém está gostando de participar de desafios e maratonas de leitura...


         Leitoras e leitores, venho por meio deste post comunicar que irei participar de mais uma maratona de leitura e convidar vocês a participarem também. Soube dessa ideia excelente por meio do blog A Mulher Que Ama Livros.
      Abaixo seguem os vídeos de apresentação da maratona pelas organizadoras Sara Cristina e Alexandra.
        




        Decidi participar da maratona porque sinto ser necessário que nos debrucemos sobre a realidade com um olhar mais aguçado, reflexivo, empático e racional. Tantas questões importantes como aborto, imigração, homofobia, corrupção, ódio, preconceito, etc., são tratadas de acordo com o senso comum e sem profundidade. Considero a maratona Reading About Reality uma ótima forma de trazer esses assuntos para discussão no blog.
       Ao fazer a seleção dos livros decidi por dar prioridade a títulos que já possuo em minha coleção. É o velho problema dos leitores consumistas: compramos mais livros do que lemos. Seguem as categorias e os livros que escolhi:


     1 - Nesta categoria encontrei uma penca de livros, mas o principal escolhido foi Doze anos de Escravidão, de Solomon Northup (trata sobre racismo). Se sobrar tempo pretendo ler também A Rainha do Cine Roma, de Alejandro Reyes e reler Uólace e João Victor, de Rosa Amanda Strausz, ambos sobre crianças de rua/desigualdade social.

    2 - Infelizmente não tenho nenhum livro que enfoque o impacto do ser humano na natureza. Gostaria muito de ler Vozes de Tchernóbil, de Svetlana Aleksievich. Se eu encontrar cinquenta temers na rua eu compro o livro e leio.

    3 - Busquei na biblioteca pública municipal o livro A Mulher Desiludida, de Simone de Beauvoir, conhecida escritora, filósofa e feminista francesa. (Não escolhi O Segundo Sexo porque não tenho o livro e não consegui na biblioteca)

    4 - Talvez agora eu leia de uma vez O Lado Bom da Vida, de Matthew Quick. O protagonista da história acaba de sair de uma instituição psiquiátrica mas não sabe o motivo de ter ido lá, segundo me conta a sinopse.


         Para melhor fundamentar as futuras discussões e resenhas eu vou buscar algo sobre o tema de cada livro em obras de filosofia e sociologia. Tenho um material muito bom que obtive durante as aulas de Ética Geral e talvez possa encontrar algo de Sociologia. 
          Espero que dê tempo para os que desejam participar possam escolher seus livros. Comente se você vai entrar na maratona e quais os livros selecionados! Se tiver dúvidas, entre em contato. Prepare seu senso crítico e vamos lá!

Não Derrame Café no Seu Livro, por João Augusto

Resenha: A Guerra dos Tronos, de George R. R. Martin

"[...] - Por quê? Por que agora? Jon Arryn foi Mão durante catorze anos. Que andava fazendo ele para que tivessem de matá-lo?- Andava fazendo perguntas [...]."




                O criador da saga de fantasia adulta de maior prestígio da atualidade é o americano George R. R. Martin, escritor, produtor e roteirista. Foi em meados dos anos 1990 que George começou a desenvolver a série As Crônicas de Gelo e Fogo (A Song of Ice and Fire) que, na época, era dividida em três livros: A Guerra dos Tronos (A Game of Thrones), A Dança dos Dragões (A Dance with Dragons) e Os Ventos do Inverno (The Winds of Winter). Porém, a história cresceu na medida em que era contada (the tale grew in the telling) e o que era para ser uma trilogia ganhou um, depois dois e mais um volume, totalizando sete livros, respectivamente:
George R. R. Martin

➸ A Guerra dos Tronos (A Game of Thrones)
➸ A Fúria dos Reis (A Clash of Kings)
➸ A Tormenta de Espadas (A Storm of Swords)
➸ O Festim dos Corvos (A Feast of Crows)
➸ A Dança dos Dragões (A Dance with Dragons)
➸ Os Ventos de Inverno (The Winds of Winter) (ainda não publicado)
➸ Um Sonho de Primavera (A Dream of Spring) (ainda não publicado)





    Em Portugal cada livro foi divido em dois volumes e pelo que sei algumas edições britânicas também foram divididas (possivelmente pelo tamanho de alguns livros como o terceiro, que no Brasil têm 884 páginas, sendo que em edições estrangeiras o número se aproxima das mil páginas; e/ou por questões de mercado).

Edição portuguesa da saga.


Outra edição portuguesa.
Edição britânica da saga.

Edição britânica da saga.

A Guerra dos Tronos
 nos leva ao mundo de Westeros, continente governado pelo rei no Trono de Ferro, Robert Baratheon, o Primeiro de Seu Nome, Senhor dos Sete Reinos. Também conhecemos partes de alguns outros locais fora de Westeros.

    Nessa terra as estações do ano podem durar décadas ou até uma vida inteira. O inverno é temido por todos. Um período sem vida, sem esperança e repleto de perigos que se escondem nas geladas terras nortenhas. O primeiro livro se passa em um verão próximo de seu fim, e o lema da casa Stark é constantemente lembrado: o inverno está chegando. No apêndice da obra encontramos uma breve história de algumas Grandes Casas dos Sete Reinos. Parte muito importante, pois a quantidade de nomes, posições, cargos, alianças e histórias pode confundir leitores e leitoras.

    Após a morte de Jon Arryn, outrora Mão do Rei (cargo semelhante a primeiro-ministro), Robert Baratheon viaja do seu castelo no sul para as terras geladas de Winterfell, no Norte. Visita seu amigo Eddard Stark que o ajudou em batalha a conquistar o trono dos Sete Reinos e a varrer os Targaryen do poder. Contudo, há suspeitas de que Jon foi envenenado por alguém de real posição. A convite de Robert, Eddard aceita ser a nova Mão e vai com parte de sua família para o sul com a intenção de investigar a morte de seu predecessor no cargo. Assim tem início inúmeras intrigas que rebentam em traições, batalhas, fugas, apreensões e muitas mortes. Cada capítulo é sob a perspectiva de um personagem, narrado em terceira pessoa, recurso usado com mestria pelo escritor.
    Ao realizar a pesquisa para este post fiquei com receio de assistir a maioria das entrevistas de George Martin e acabei por tomar conhecimento de um spoiler simplesmente por ter pesquisado imagens de uma personagem. Por isso, cuidado: grande parte das entrevistas do autor se destina a quem já leu os cinco livros. No final do post tem um vídeo que seria ótimo para quem ainda não leu o primeiro volume SE não tivessem colocado cenas da segunda temporada da série da HBO. O sucesso estrondoso dos livros se deve, em parte, à série televisiva Game of Thrones, da HBO.
    Sabe-se que George R. R. Martin bebeu da fonte de J. R. R. Tolkien, célebre autor da trilogia O Senhor do Anéis, entre outros livros. Também serviram de inspiração as ficções históricas, episódios da história medieval, a Guerra das Rosas, etc. Em conjunto com suas vivências Martin pôde escrever uma fantasia extremamente rica em detalhes, bem trabalhada, com personagens complexos, histórias atraentes e grandiosas na forma e no estilo. 
    Já estou encantado e apaixonado por essa saga! A Maratona Gelo e Fogo continua, agora com a leitura do segundo volume: A Fúria dos Reis.


Atenção: se você ainda não leu A Guerra dos Tronos o vídeo abaixo contém spoilers!


*(p.230) MARTIN, George R. R. A Guerra dos Tronos. São Paulo: Leya, 2010.

Fontes:


Não Derrame Café no Seu Livro, por João Augusto

Sobre a leitura de A Guerra dos Tronos, de George R. R. Martin

"[...] Quando se joga o jogo dos tronos, ganha-se ou morre. Não existe meio-termo."*



    Uma semana e quatro dias de leitura diária de A Guerra dos Tronos, primeiro volume da saga As Crônicas de Gelo e Fogo, do americano George R. R. Martin. Anoto cada avanço na leitura do volume de 591 páginas em um calendário personalizado. O rosto (ou a máscara) de Cersei Lannister me encara do mural no meu quarto. Ao lado, a frase do subtítulo desta postagem.
    O grupo de leitores e leitoras no Facebook ajuda com resumos de cada capítulo. Os post-its azuis povoam as bordas do livro. Tive que comprar mais. Também tirei algumas xérox dos mapas dos livros (enquanto não consigo um empréstimo com um Lannister para comprar o  Atlas das terras de gelo e fogo) para me guiar durante a leitura. Ainda tenho medo de assistir a algumas entrevistas de Martin, pois a internet é escura e cheia de spoilers. Já li 300 páginas e sigo agora com apreensão. Os Stark já não vivem felizes e unidos em Winterfell. A paz dos Sete Reinos está comprometida. Alianças novas e antigas estão se formando e o inverno está chegando.
    Já comentei com os participantes da maratona e agora exponho o comentário aqui: não sou capaz de amar ou odiar profunda e definitivamente as personagens, nem de rotulá-las como “do bem” e “do mal”. Se bem me lembro em uma entrevista George comenta que seus personagens são complexos como nós somos: não existe uma pessoa inteiramente boa ou inteiramente má, pendemos para os dois lados volta e meia. Personagens que deixaram um gosto amargo com suas ações nas primeiras páginas revelaram a doçura da verdade em suas palavras em capítulos posteriores. Realmente estamos a jogar o jogo dos tronos.
    Estou em uma parte crucial da história e sei que a partir desse ponto as coisas não podem melhorar. Estou ansioso para os próximos volumes. Acredito que sigo para A Fúria dos Reis ainda em janeiro. Como disse no vídeo de apresentação da Maratona Gelo e Fogo, tenho o volume em português e em inglês britânico. Gostaria de ler os dois, talvez 30 páginas de um e 30 do outro a cada dia. Espero assistir a série logo.


    Para os que estão lendo a série: que os deuses sejam bondosos para nós.
    Para os que não estão lendo a série: leiam logo, pelos sete infernos! Ou que os Outros os carreguem! 

*(p.346) MARTIN, George R. R. A Guerra dos Tronos. São Paulo: Leya, 2010.

Não Derrame Café no Seu Livro, por João Augusto

Maratona Gelo e Fogo

"[...] Possuo um entendimento realista das minhas forças e fraquezas. A mente é minha arma. Meu irmão tem sua espada, o Rei Robert, o seu martelo de guerra, e eu tenho a mente... e uma mente necessita de livros da mesma forma que uma espada necessita de uma pedra de amolar para  se manter afiada - Tyrion deu uma palmada na capa de couro do livro. - É por isso que leio tanto, Jon Snow." *



            Com um novo ano chegam novos desafios e oportunidades. A maioria das pessoas está de férias, o sol brilha, o tempo passa e a uva também. Que tal participar de um projeto de leitura? De uma maratona de leitura intensiva? De um desafio literário?
            No vídeo abaixo eu falo um pouco sobre a Maratona Gelo e Fogo, ideia fantástica que eu peguei emprestada da Cláudia Oliveira, do blog A Mulher Que Ama Livros, que realizou a maratona em 2015. Lanço o convite mais uma vez: vamos ler juntos os livros da série As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin?


            O objetivo da maratona é ler todos os livros editados das Crônicas de Gelo e Fogo atualmente (aqui no Brasil são cinco, em Portugal são dez). Inicialmente pensei em seguir a ideia da Claudia: 30 páginas por dia. Vamos aos cálculos (me corrijam se eu estiver errado, sou de humanas):
            O total de páginas das edições comuns da série no Brasil é de 3 553 p. Em Portugal são 4 752 p.
            Lendo 30 páginas por dia conseguiremos terminar a série em 118 dias, ou seja, 4 meses (120 dias) será um bom tempo. Começaremos a maratona em janeiro e finalizaremos em abril (se for preciso entrar em maio, sem problema).
            As impressões de leitura, resenhas e comentários sobre a saga aparecerão aqui no blog, no canal e/ou na fanpage com a hashtag #maratonageloefogo. Também foi criado um grupo no Facebook para compartilhar o que cada leitor e leitora participante da maratona tem a dizer sobre a leitura e afins. 
             Para quem vai participar eu peço que se manifeste nos comentários, informando se por acaso tem blog ou canal e se tem alguma sugestão para nossa maratona ou envie uma solicitação para participar do grupo no Facebook. Assim posso ter noção de quantos somos, do tamanho da expedição que irá visitar as terras de Westeros e além. 

* (p.92) MARTIN, George R. R. A Guerra dos Tronos. São Paulo: Leya, 2010.

Resenha: A Bela e a Adormecida, de Neil Gaiman, ilustrado por Chris Riddell

    "Era o reino mais próximo ao da rainha, em linha reta, como voa o corvo, mas nem os corvos voavam até lá." *



    "[...] Às vezes desmoronados no chão. Às vezes em pé. Dormem nas oficinas, apoiados em sovelas, sentados em tamboretes de ordenha. Os animais adormeceram nos campos. Os pássaros também, e nós os vimos nas árvores ou mortos e espatifados nos campos onde despencaram do céu." **

    Escrito por Neil Gaiman e ilustrado por Chris Riddell, A Bela e a Adormecida (The Sleeper and the Spindle) traz um novo olhar à conhecida (até que ponto?) história da Bela Adormecida e uma Branca de Neve pós-caixão-de-vidro. Publicado pela primeira vez na Grã-Bretanha em 2014, a fantástica obra de Gaiman e Riddell chegou ao Brasil pela Rocco Jovens Leitores (selo da Editora Rocco para o segmento juvenil e young adult), em 2015. Alguns leitores brasileiros ficaram preocupados com a edição nacional porque acreditavam que ela não seguiria o mesmo padrão das editoras estrangeiras. Felizmente, não foi o que aconteceu. 
A capa dura é revestida por uma sobrecapa (jacket) de papel quase totalmente transparente que proporciona um efeito único. O leve embaçamento produzido pela sobrecapa se assemelha a um véu de teias de aranhas que buscam cobrir a bela adormecida, como no livro. As ilustrações são em preto e branco, com toques reais de dourado cintilante. 







O responsável pelas delicadas e magníficas ilustrações é o britânico Chris Riddell, que além de ilustrador é escritor e renomado cartunista político de alguns jornais como The Observer. Riddell recebeu diversos prêmios, como o Costa Children's Book Award e o Nestlé Gold Award, com destaque para a medalha Kate Greenaway, que premia ilustrações distintas em livros para crianças, com a qual foi laureado três vezes sendo uma pelo livro A Bela e a Adormecida. Para conhecer detalhes sobre o interessante prêmio conferido pelo Chartered Institute of Library and Information Professionals clique aqui. 
Chris escreve e ilustra seus próprios livros. No Brasil é mais conhecido pelas obras Otolina e a gata amarela, Otolina no mar, Otolina na escola, A Garota Gotic e o Fantasma de um rato e Wyrmeweald - O Tesouro dos Pródigos.  




Chris Riddell e sua visão pesadelo de uma presidência de Trump (pós Fuseli). Fonte: The Guardian.


O também britânico Neil Gaiman (conhecido e querido por este que vos escreve) é autor de Sandman, Coraline, Deuses Americanos (American Gods), Os Filhos de Anansi (Anansi Boys), A Verdade é uma Caverna nas Montanhas Negras (The Truth is a Cave in the Black Mountains), etc. Você pode conferir a minha resenha sobre o primeiro livro de Coisas Frágeis, do Neil, aqui. Gaiman já foi laureado internacionalmente com prêmios como as medalhas Carnegie e Newbery, o prêmio Hugo (quatro vezes) e o Nebula (duas vezes), entre outros.



(Parênteses para avisar que li esse ano outro livro de contos de fadas do Neil, João e Maria, e pretendo escrever uma resenha aqui em breve. Aliás, O oceano no fim do caminho está aqui em casa na minha pilha de livros para serem lidos nas férias ;)

Neil Gaiman e Chris Riddell já haviam unido seus talentos antes nas edições britânicas de O Livro do Cemitério (The Graveyard Book), Coraline e Felizmente, o leite (Fortunately, the milk). A história de A Bela e a Adormecida apareceu primeiro no livro Rags & Bones: New Twists on Timeless Tales, uma coletânea de contos clássicos recontados sob a perspectiva do século XXI, publicado em 2013 pela Little Brown.

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    O senhor de Sandman comenta em vídeos que a ideia surgiu quando seus amigos pediram que ele escrevesse uma história para a antologia que viria a ser Rags & Bones, pegando uma já existente e criando uma sequência ou virada ou mudança nela. Neil comenta que Branca de Neve foi provavelmente a primeira mulher que ele amou, quando tinha três anos de idade. Ele também amava a Bela Adormecida e pensou que poderia combinar as duas histórias.


A Bela e a Adormecida inicia acompanhando três anões que estão em busca de um presente para a rainha que irá se casar em uma semana. Ao atravessarem a cadeia montanhosa que divide os dois reinos, os anões descobrem que o outro lado da cordilheira está sob uma maldição, uma praga do sono que avança mais a cada dia. Ao retornarem com a notícia para a rainha de longos cabelos negros como as asas de um corvo e linda como uma rosa carmim sobre a neve caída, ela decide adiar seu casamento, pega sua cota de malha, sua espada, mantimentos e seu cavalo e sai para ajudar o reino dos adormecidos. Quem precisa de um príncipe? Certamente a rainha de Gaiman não, como ele afirma em entrevista ao The Telegraph: "'Você não precisa de príncipes para te salvar' [...]. 'Eu não tenho muita paciência para histórias em que mulheres são salvas por homens''. Afinal, mulheres não são seres frágeis que precisam ser defendidas por homens fortes e viris, ok? 





Uma jovem radiante como a aurora e delicada como uma rosa dorme junto com seu reino, guardada por uma selva de roseiras com espinhos mortais. Acredite quando afirmo que o conto de Neil Gaiman ainda assim irá te surpreender com sonâmbulos zumbis e princesas não tão boas como você imagina. 
Quanto às ilustrações, Chris Riddell informa que Neil não lhe deu nenhuma direção visual sobre como as personagens deveriam ser, permitindo que ele habitasse os espaços visuais vazios do livro, o que considerou "absolutamente atraente". Chris gostou da lista de personagens realmente intrigantes. Os que primeiro chamaram sua atenção foram os anões e sua relação com a mineração. Riddell não queria que eles tivessem a aparência tradicional, baseada no estilo Walt Disney. Um detalhe muito interessante que o próprio ilustrador comenta em um dos vídeos abaixo é o aparato iluminador dos chapéus dos anões, que serve como um capacete com lanterna usado hoje em dia. 




Após um ano no curso de Letras mudei minha opinião sobre diversos assuntos, temas e situações. Vejo, agora, os livros ilustrados e infantojuvenis de outra forma, menos preconceituosa. Muitas pessoas acreditam que por um livro conter mais ilustrações que palavras a sua leitura é menos digna de crédito. Não concordo mais com isso. Neil Gaiman diz que nunca pensou ou acreditou que uma ilustração em um livro diminuiria o valor da obra de alguma forma e lembra que até Dickens era ilustrado. 

Eu me encantei por A Bela e a Adormecida e recomendo a leitura tanto para crianças como para adultos, ou melhor, para jovens de todas as idades, como gosto de dizer. Não contei muito da história porque o livro é curto e para ir além eu teria que revelar alguns spoilers. As ricas ilustrações são sofisticadas, com certo tom de obscuridade e com um alto nível de detalhes que fazem com que você queria ficar minutos as observando, encantado e hipnotizado pelos traços mágicos de Riddell. A prosa de Gaiman não deixa nada a desejar, somente nos dá aquilo que queríamos com um algo mais surpreendente e que não nos decepciona, apenas nos faz sorrir e sussurrar após a surpresa: "Ah, isso é coisa do Neil". Nas palavras de Chris Riddell, "parte da mágica da colaboração é quando duas imaginações se unem fazendo coisas diferentes, mas criando algo extraordinário", que é o que acontece em A Bela e a Adormecida. 


Todos vão ficar fascinados com o livro.

Detalhando:


Na página 15, quando os anões estão discutindo com as pessoas da estalagem, encontramos um conflito de denominação referente à quem lançou a maldição do sono:

“- Uma bruxa! – disse o bebum.
- Uma fada má – corrigiu um homem de cara gorda.
- Pelo que ouvi dizer, ela era feiticeira – interveio a garçonete.”           

Nós comumente consideramos bruxa, fada má e feiticeira como sinônimos. Porém para o povo de A Bela e a Adormecida esses nomes representam alguma diferença. Conversando com uma bibliotecária muito querida minha eu já havia me deparado com essa questão. Ela me recomendou livros teóricos que serviriam de apoio para entender o que verifiquei novamente no conto de Neil. Quando ler algo mais profundo sobre isso volto aqui e atualizo a resenha.    



Fontes e para saber mais:

Leia um trecho de A Bela e a Adormecida (em português)! 
Entrevista de Neil para o The Telegraph: Neil Gaiman sobre o significado dos contos de fadas (em inglês). 
Galeria com o melhor de Chris Riddell, do The Guardian (em inglês).
Canal do Chris Riddell no YouTube onde você encontra vídeos lindos dele criando suas ilustrações. 
Canal do Neil Gaiman no YouTube onde você encontra ele recitando alguns poemas. 
Instagram do Chris Riddell que desenha todos os dias e faz questão de compartilhar seus sketchbooks. 
Instagram e Twitter do Neil Gaiman. 
Twitter do Chris Riddell. 





The Sleeper and the Spindle: Neil Gaiman and Chris Riddell on Chris's stunning illustrations:




The Sleeper and the Spindle: Neil Gaiman and Chris Riddell on collaboration:




The Sleeper and the Spindle: Chris Riddell discusses his illustrations:



Neverwhere: Neil Gaiman and Chris Riddell on illustration:


* (p.10) GAIMAN, Neil. A Bela e a Adormecida. 1a edição. Rio de Janeiro: Rocco Jovens Leitores, 2015.
** (p.20) GAIMAN, Neil. A Bela e a Adormecida. 1a edição. Rio de Janeiro: Rocco Jovens Leitores, 2015.

Não Derrame Café no Seu Livro, por João Augusto
Agradecimento especial à minha gata Molly. 


The Rory Gilmore Reading Challenge

"If you're out on the road / feeling lonely and so cold / all you have to do is call my name / and I'll be there on the next train."


    Em outubro de 2000, as pessoas conheceram as garotas Gilmore... E se apaixonaram por elas. A série Gilmore Girls (Tal Mãe, Tal Filha) acompanha o relacionamento de uma mãe solteira, Lorelai Gilmore (Lauren Graham), e sua filha, Lorelai "Rory" Gilmore (Alexis Bledel). Lorelai deu à luz a Rory na adolescência, o que fez com que ela se mudasse da casa de seus pais ricos e elitistas, Richard e Emily Gilmore (Edward Herrmann e Kelly Bishop, respectivamente) para morar em Stars Hollow, uma cidadezinha cheia de pessoas excêntricas e curiosas. Lá, Lorelai trabalha em uma pousada, Independence Inn, enquanto Rory se dedica aos estudos e aos livros. 


    Até agora, agosto de 2016, assisti apenas as duas primeiras, das sete temporadas. A primeira pela Internet e a segunda eu comprei, espero poder adquirir os outros boxes com os DVD's em breve (alguns estão esgotados, infelizmente). Decidi ver a série após algumas recomendações, especialmente a da Tati Feltrin. Sou apaixonado pelas Gilmore Girls, assim como muitas outras pessoas ao redor do mundo. Pude me identificar com as personagens (suas atitudes, gostos e comportamento) e as relações que mantém com as outras pessoas (intrigas, paixões, etc).  by the way, I have a crush on Lorelai Gilmore

    Uma característica marcante de uma das protagonistas é a paixão pelos livros. Rory está sempre lendo, em vários lugares. Ela troca opiniões sobre livros com o avô (que consegue algumas edições raras para sua neta), com o namorado (pedindo que ele leia suas obras favoritas) e é claro, com a mãe. Por isso, fãs começaram a anotar os livros lidos por Rory através das sete temporadas. Esse ponto é muito importante ressaltar: a lista de leitura engloba referências, citações e livros que às vezes somente apareceram em alguns episódios, sem que Rory os estivesse necessariamente lendo (no sentido de folhear o livro). Se alguém fez uma piada com um livro "X", ele entra para a lista. Se Rory aparece com um livro debaixo do braço, ele entra para a lista. Ficou claro? Quaisquer dúvidas, por favor, comente abaixo. 


    Assim, a lista de livros é bem grande e apesar de nem todos terem sido lidos pela Rory, foram inseridos pelo roteirista ou pela diretora, produtora... Sempre boas dicas, afinal. Como leitor pretensioso que sou, decidi aderir ao movimento e participar do desafio/projeto de leitura: The Rory Gilmore Reading Challenge ou The Rory Gilmore Book Challenge, que consiste em ler todos os livros que apareceram de uma forma ou de outra na série Gilmore Girls.
    Essa é a lista que irei seguir.
   Por que estou participando? Porque eu gostaria muito de ler grande parte dos livros contidos nela. Porque alguns deles já terei que ler para a faculdade. Porque eu tenho um parafuso solto.
    Qual o prazo final para ler todos os livros? O fim da minha vida.
    Não há um prazo.

    Eu convido você a participar junto comigo! Estarei postando as resenhas ou aqui no blog, ou no canal do YouTube. Eu avisarei qual será minha próxima leitura com antecedência, de forma que você possa ler junto comigo. Eu adoraria saber o que você tem a dizer sobre os livros! A troca de experiências de leitura é maravilhosa e enriquecedora para ambas as partes. Convide seus amigos também. 


Não Derrame Café no Seu Livro, por João Augusto

     


   
    

Sobre a faculdade, minhas leituras e o histórico do blog ou O capítulo onde o que foi não será novamente.

 "All along the road, the lights stream by. / I want to go where the dew won't dry. / I want to go where the light won’t bend— / far as the eye may reach—nor end." *

*Trecho da música "Anecdotes", de Joanna Newsom

Nighthawks by Edward Hopper (1941-1942)

                                            O blog não é o mesmo de antes (se antes ele era alguma coisa). O diário de leituras virtual ainda não assumiu um padrão regular de ideias. O tempo passou e sinto que esse padrão já deveria estar estabelecido, mas não foi o que aconteceu. Não conheço bem quem me lê, mas sim a quem escrevo. Escrevo para quem necessita de um amigo, para quem busca uma opinião sobre livros quando não tem a quem recorrer ou quando somente precisa de mais um “sim” ou “não” para se decidir em relação a uma leitura. Quando escrevo, ofereço aquilo que de mais precioso tenho. Não poupo o que está guardado em mim. Se deixar de fora uma ideia ou informação, sinto que o leitor estará lendo algo incompleto e isso não gosto de fazer, pois me lembro dos versos de Ricardo Reis (Fernando Pessoa): “Para ser grande, sê inteiro: nada / Teu exagera ou exclui. / Sê todo em cada coisa. Põe quanto és /No mínimo que fazes. [...]”.
                               
                                       Tantas vezes prometi resenhas e comentários sobre diversos livros e até hoje não cumpri com minha palavra. O peso das promessas fica armazenado na memória e busca destruir o que junto dela está, com rachaduras que ameaçam toda a estrutura. Não sei como alguns políticos suportam isso... O tempo para mudar foi ontem, é hoje e será amanhã. Antes que eu comece a devanear sobre o futuro, coisa que gosto muito de fazer, melhor seria explicar um pouco do passado breve.
                                      Concluí meus estudos no ensino médio. Obtive uma boa nota na prova do ENEM. Fui aprovado no vestibular e ganhei uma bolsa de estudos integral do governo (Prouni). Iniciei meus estudos na Universidade de Passo Fundo, no curso de Letras, Português - Inglês e Respectivas Literaturas (Licenciatura). Deixo este espaço em branco para que você leitor(a) imagine o que mudou por aqui.
  


                                            Agora sou um ser em constante des[re]construção.


                               


                                            O curso de Letras, como todos imaginam e é verdade, requer muitas leituras. Claro que não somente de livros viverão os futuros professores, contamos com prática e o que mais pertence a um curso de graduação e pós-graduação. As experiências dentro da Letras são cada vez melhores devido ao fato de Passo Fundo ser a Capital Nacional da Literatura. A formação conta ainda com mestrado, doutorado e professores pesquisadores em atividade.
                                            Estou agora no segundo semestre. Tenho vários projetos de leitura fresquinhos na gaveta. Nos últimos meses tive contato pessoal com vários escritores: Manu Maltez, Ricardo Azevedo, Tabajara Ruas, Raphael Montes, Christopher Kastensmidt... Li os livros deles também. Li vários livros de literatura brasileira contemporânea e muita teoria. O interessante agora é o aprofundamento no “pensar sobre o livro”. Como assim? Por exemplo, após a leitura de um romance contemporâneo eu leio diversos textos teóricos sobre o que é um romance? De que forma o romance contemporâneo espelha a sociedade em que foi escrito? Até que ponto os romances da atualidade podem ser considerados literatura? O que é literatura? (aos amigos das Letras, risos)
                                           
                                          Contudo, não pretendo discutir intensivamente essas questões aqui no blog, pelo menos não por enquanto. Preciso ainda desenvolver e acentuar as diferenças entre o “João Augusto leitor” e o “João Augusto acadêmico-pesquisador”. Não gostaria de misturar muito as coisas porque estaria me afastando consideravelmente do objetivo do blog.
                                              Continuo lendo meus queridos autores, minhas fantasias e ficções, amigos de longa data. Porém agora preciso ler outros livros para a faculdade, teóricos ou não. Os livros que preciso ler para a faculdade são discutidos em sala de aula e muitas vezes rendem trabalhos e resenhas que serão avaliados. Então em alguns momentos me afasto de certos livros para dar atenção aos outros que serão estudados no curso. Sem problema, amo-os de qualquer forma. Leio com e por puro prazer.

                                             Por fim, gostaria de agradecer aos amigos leitores. Não revelarei qual será a próxima obra resenhada, nem quando a publicarei. Creio que neste ponto você já pode entender o porquê. Muito mudou, mas há algo que permanece e a cada dia ganha mais intensidade: a paixão pelos livros e o desejo de poder compartilhá-la. 


                        Não Derrame Café no Seu Livro, por João Augusto
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