La La Land: Cantando Estações (2016)

16:24

"City of stars, are you shining just for me?"

Direção: Damien Chazelle
Roteiro: Damien Chazelle
Título original: La La Land

    La La Land: Cantando Estações (2016) é o favorito da temporada de premiações deste ano, já contando com várias indicações e levando na bagagem ao Oscar sete estatuetas do Globo de Ouro e outros prêmios. O diretor e roteirista Damien Chazelle já é conhecido pela Academia, quando levou o seu Whiplash (2014) para o Oscar de 2015. Depois de assistir La La Land eu já levanto a bandeirinha com seu nome. Estou na torcida!

    O filme presta homenagem não somente a outros musicais e a indústria do cinema como também aos sonhadores e a todos que procuram seu lugar ao sol. É assim que o longa começa com a contagiante e empolgante canção Another Day of Sun, em que um grupo de pessoas presa no engarrafamento de LA expressa os desejos que buscam realizar na cidade dos anjos. O figurino com cores vivas e vibrantes, o êxtase das pessoas, a vividez da música e os movimentos fluidos da câmera despertam emoções quentes e começam a pintar o quadro de alegria esperançosa e da possibilidade de os seus sonhos se realizarem na terra que os fabrica. 
    Os protagonistas dessa história são Mia (Emma Stone), uma jovem aspirante a atriz que se vê rodeada de estrelas e busca diariamente a chance de se tornar uma, e Sebastian (Ryan Gosling), um pianista entusiasta com o jazz de outrora, que está perdendo força em um mundo no qual o coração das pessoas bate em outro ritmo. Conhecemos ambos num clima de I have a dream, do ABBA, seguindo seus ideais e mantendo-se fieis à suas crenças. Quando os caminhos de Mia e Sebastian se cruzam entre notas musicais, festas e danças à luz da grande cidade, os sonhos se entrelaçam em um mundo onírico e excitante. A partir daí a trama se desenvolve até um ponto confortável e esperado pelo público, para depois se desenrolar em um terreno mais realista e ao final, agridoce. 


    Stone e Gosling estão brilhantemente ligados, transmitindo com excelência as passagens da paixão juvenil até os conflitos mais sérios, os anseios e certezas dos sonhadores. Ryan esbanja proficiência no piano, sendo que dispensou dublê na hora de representar as músicas gravadas, embora tenha aprendido a tocar o instrumento em três meses. As coreografias também agradam pela leveza e talento.




    A fotografia, a trilha sonora, os jogos de câmera, a ambientação e a arte do filme estão impecáveis, ao meu ver. Assisti poucos musicais (acredito que nenhum da lista que inspirou La La Land): Into the Woods ou Caminhos da Floresta (versão da Broadway e da Disney), Mamma Mia (filme de 2008), Os Miseráveis (filme de 2012), Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (filme de 2007), etc. Lembro que assisti parte de Hairspray (filme de 2007) e não gostei nenhum pouco das letras e de como as canções eram inseridas na trama. Fiquei com medo que La La Land fosse assim, mas felizmente não foi o que ocorreu. A música faz parte do filme do mesmo modo como faz parte de nossas vidas. Mesmo quando os personagens não estão cantando ou dançando, o som de diversos instrumentos percorre o filme com naturalidade, conduzindo o espectador como se lhe desse a mão para o acompanhar numa dança. A partir de um ponto do longa as peças musicais diminuem, mas essa breve ausência tem seu significado quando observamos o que está acontecendo com Mia e Sebastian. 
    A encantadora trilha sonora ficou por conta de Justin Hurwitz (música) e a dupla de Benj Pasek com Justin Paul (letras). Já baixei o álbum e tenho certeza que a sublime coleção de sentimentos sonoros vai me acompanhar por um bom tempo. Ao final do post convido você a ouvir ao menos uma canção. 
    Lembrei de uma frase shakespeariana que li na capa de um livro didático de inglês: "All the world’s a stage, / And all the men and women merely players" (O mundo inteiro é um palco, / E todos os homens e mulheres meros atores). Quando assisti à Mia e Sebastian dançarem ao fim da tarde de frente para a cidade de Los Angeles, foi o que senti: que todos os assistiam, seja de um lado da tela ou de outro.


    Dou ao filme cinco estrelas, mas ele merece uma constelação do tamanho dos sonhos do mundo. Cativante, emocionante e inteiramente belo, La La Land é uma das minhas apostas para o Oscar, mas ainda tenho outros queridinhos para assistir. Impossível não arriscar uns passos de improviso ou um cover da música que te conquistou após ver o filme. 
     Um musical feito para essa premiação, com referências ao próprio gênero e a história do cinema, com um elenco que encontrou desafios para seus papéis, mas com treino e dedicação conseguiu entregar um ótimo trabalho. Dentre as indicações ao Oscar, La La Land se encontra nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor (Damien Chazelle), Melhor Ator (Ryan Gosling), Melhor Atriz (Emma Stone), Melhor Roteiro Original, Melhor Fotografia, Melhor Canção Original (Audition: The Fools Who Dream e City of Stars), Melhor Trilha Sonora, Melhor Figurino...




    

Comentário com spoiler!

    Depois de Mia e Sebastian conseguirem realizar seus sonhos e perceberem que nem tudo foi como planejado, eu lembrei do musical Into the Woods, que alerta para os desejos que realizamos, ressaltando que eles têm seu preço. 

Fontes:

Lista de indicados ao Oscar.


Não Derrame Café no Seu Livro, por João Augusto

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